Feira Popular na internet para ouvir Lisboa

A nova Feira Popular de Lisboa está cada vez mais perto, brevemente arrancam as obras em Carnide e a Câmara Municipal criou um sítio na internet para ouvir a opinião dos lisboetas. A apresentação decorreu no Dia Mundial da Criança porque, diz Fernando Medina, "é tempo da cidade pagar a sua dívida às muitas crianças que ficaram privadas da Feira durante mais de uma década."

Na presença de muitas crianças e num ambiente de feira de diversões, entre picocas feitas em azoto, algodão doce e um espetáculo por artistas do Chapitô, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, apresentou esta quarta-feira, 1 de junho, na Casa do Artista o sítio na internet da Feira Popular de Lisboa. Uma plataforma que pretende recolher a opinião dos lisboetas sobre o que terá a Feira Popular em Carnide. 

Para Fernando Medina a auscultação dos lisboetas é fundamental, pois "o grande desafio neste projeto é encontrar a verdadeira alma para a nova casa da Feira Popular." 

A página contém vários testemunhos vídeo sobre a antiga Feira Popular, permite o acompanhamento do projeto e convida ao preenchimento de um inquérito sobre o tipo de equipamentos da futura feira e atividades que aí se poderão vir a desenvolver. A pensar na história das anteriores casas da Feira Popular, o sítio tem ainda um espaço destinado a recolha de testemunhos, fotografias e outros documentos.

Um parque moderno e de qualidade

Apresentado há cerca de sete meses, o projeto, lembrou Fernando Medina, tem na escolha de  Carnide "uma oportunidade para recuperar uma zona da cidade que precisa de intervenção” e preconiza para “a nova casa da Feira Popular um caráter diferente, moderno, de alta qualidade e de excelência.” 

A intenção não é, no entanto, construir “um simples espaço onde estejam máquinas de diversão e espaços de restauração”, mas sim “um espaço urbano de excelência ao nível do que melhor se faz por essa Europa e por esse mundo”, frisa, adiantando que para Carnide está projectado um espaço verde de grandes dimensões, “diversões para a família e para aqueles que gostam de mais adrenalina e restauração.” 

“Um espaço de todos e para todos”, enfatiza o presidente, revelando que “ao longo destes sete meses temos trabalhado de forma muito intensa". Está pronto o projeto para um espaço verde “de altíssima qualidade”, com vinte hectares, localizado entre o Bairro Padre Cruz e as oficinas do Metropolitano, com uma configuração de rebaixamento que permite a criação de uma barreira física para proteger melhor do ruído os moradores da zona envolvente. 

O projeto prevê ainda a revisão total do sistema viário naquela zona da cidade e a criação de um parque de estacionamento com mais de mil e quinhentos lugares, com um duplo objetivo: servir a feira popular e ao mesmo tempo de “elemento dissuasor” para quem pretende entrar na cidade, pois fica construído junto à estação do metro. 

Uma feira com alma

"Desde o início tornou-se para nós claro que a cidade não precisava de um parque temático como a Disney ou um parque de diversões numa área descaracterizada, mas sim do regresso da Feira Popular”, diz Fernando Medina, sublinhando que esse regresso deve constituir um espaço onde as crianças tenham as suas animações e os seus momentos de comemoração do aniversário ou do fim de ano letivo, e onde os pais e os avós possam recuperar as suas memórias. 

Não é, no entanto, a mera imitação de Palhavã ou de Entrecampos que se pretende, alerta Medina. “O que para nós é importante neste projeto é a Alma da Feira Popular”, salienta, explicando que “o regresso da nossa Feira Popular” implica conhecer as diferentes memórias e vivências de quem a visitou, procurando ao mesmo tempo recolher opiniões sobre o que os lisboetas desejam na nova casa da feira. 

Uma nova casa que seja capaz de transmitir as emoções que as pessoas viveram, reproduzir as suas memórias e reflectir os seus desejos é, para o edil, “o processo mais exigente e nuclear na preservação da identidade da Feira Popular de Lisboa.”

O projeto "só vai valer a pena se cada um participar, se cada um der a sua opinião, e que depois nós sejamos capazes de traduzir um pouco desse sentir no que ali vai nascer", diz Fernando Medina num verdadeiro apelo de participação aos lisboetas.

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